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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Simplesmente



Não me pergunte quem sou e não me diga para permanecer o mesmo.”
(Michel Foucault)



Na vida, em geral, nem sempre compartilhamos sentimentos... estes, às vezes, estão potencialmente defasados, como se buscassem uma completude que nunca se realiza. Invariavelmente não é algo que se deva lamentar, apenas é o que acontece. Concretizamos o que somos capazes de exercer e externar, ainda que sem limites para novos voos. Cada um sente ao seu modo... e todos são válidos!



É provável que nos apaixonemos por aquilo que mais valorizamos, procurando no outro o que nos identificamos ou, eventualmente, o que falta em nós. Mas talvez essa busca seja exatamente o que nos sublima, pois dela extraímos sentidos e horizontes. Quando entendemos que as subjetividades são compreendidas a partir de tudo o que nos revela, no sentido próprio do que nos compõem, realizamos um encontro com nossa própria essência e isto nos remete ao que acreditamos que somos ou ao que achamos de nós mesmos.



Com os sentimentos também pode ser assim. E nesta via, não custa lembrar que amor simplesmente se sente... simples como o calor do Sol, a pluralidade das estrelas ou o magnetismo da Lua... simples como a explosão que emana de si mesmo, do que não se esgota, não se supõe, não se explica... apenas existe e se encanta, absorto na ingenuidade do seu próprio sentido. Amar sem amarras, sem culpas, sem limites, sem consequências é tarefa de gente... ou apenas daqueles que existem e se permitem.



Sentimentos podem até mesmo ser referência de espanto filosófico para aqueles que se convertem ao rigor não dogmático do saber puramente existencial... isso, quando aceitam as multiplicidades de tudo o que não explicam ou não sistematizam.



Ainda assim, para alguns outros, esses mesmos sentimentos passarão pela via epistemológica da racionalização emocional. Mas então não é possível que sejam afetivos, diriam alguns. E por que não? O que mais fascina na constituição humana é justamente sua incrível capacidade de se moldar às infinitas possibilidades, inclusive sentimentais. Se lhe convier que sentimentos devam passar por rigores racionais, pode até ser que não encontre reflexos na experiência usualmente estabelecida, mas sempre haverá um par de sapatos que lhe serão divinamente ajustados.



E ainda temos a eventual possibilidade de sentimentos que inexistam em manifestações convencionais, como buracos negros que sugam a matéria existente e convertem-na em algo supostamente inexplicável. Propostas surreais de existência emocional adversa, mas ainda assim passíveis de encontrar quem os admire.



Justamente da incrível sublimação de que se supõem o entremeio da loucura que se revela, é que partilhamos os sentimentos que se manifestam e o único fato que talvez não se cale seja o de que eles existem e estão entre nós, como seres invisíveis a nos rondar. Observadores sutis que nos acompanham e se exprimem quando nem sempre estamos preparados.



Luana Tavares               

4 comentários:

  1. Olá Luana!

    Permita-me um olhar interpretativo, caso eu não tenha me aproximado da intensão que expôs ao tecer esse texto.

    Uma excelente análise existencial da subjetividade em sua singularidade. Uma expressão ímpar de elementos apresentados por filósofos de modo complexo e que com sua (da Luana) singular perspicácia, soube expor de modo palpável, sem perder a profundidade.

    Parabéns pelo texto!

    Beijão!

    Miguel Angelo

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  2. Oi Miguel!

    Adorei o que disse!
    Sentimentos são temas complexos por natureza e duvido que haja uma forma compreensível de expressão. Talvez apenas a poesia, a que toca a alma, demonstre ser um caminho válido! E, às vezes, devemos simplesmente sentir, deixando a cada um o entendimento da natureza peculiar do momento.
    Beijão!
    Lua

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  3. Querida Luana, é adorável seu texto este fragmento em especial "E ainda temos a eventual possibilidade de sentimentos que inexistam em manifestações convencionais,.." lembra muito uma definição de espiritualidade que escutei em uma palestra do Wil Goya ,onde ele refere que a espiritualidade andaria por lugares onde o homem não conseguiria usar a conceitualização para objetifica-la. Gostei muito ! bjs

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    Respostas
    1. Querida Alba!
      Obrigada pelas suas palavras... nem sempre sei quando e como consigo me fazer compreender.
      Na verdade, creio que são tantos os sentimentos, tantas as formas de nos expressarmos e de os vivenciar, que talvez o mais sábio seja "simplesmente" deixarmos fluir o que, provavelmente, é a melhor parte da nossa existência.
      Muitos beijos da Lua!

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