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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Eternidade interrompida


Morrer é preciso... tão preciso quanto necessário. Morremos a cada momento através da eternidade; vivemos pela sua possibilidade. Somos impotentes diante do tempo, mas detemos a condição incontestável de exercer a vida. Direito este nem sempre exercido, mas que na maior parte das vezes é reivindicado. Prescindir dele pode significar perdas incomparáveis para alguns; outros, porém, necessitam ter seu tempo supostamente abreviado... quem pode saber? Na existência talvez nada possa ser predeterminado. Apenas intuímos o porvir, que nem sempre se manifesta por um caminho esperado. O inusitado provavelmente está a nos esperar depois daquela curva, como um prêmio atento às nossas necessidades.

Podem acontecer imprevistos, surpresas, desvios e até o rigor de um traçado delineado. Cada fibra se desvela e se revela no desenrolar de uma rotação. O dia se inicia para alguns, mas apenas acontece para outros. A eternidade, porém, transmuta tudo, até o mais simples desejo a ela se rende. Pode ser que tudo realmente se realize. Mas pode ser que não...

Os traços da imortalidade de cada um se exercem pelo tempo, pelo espaço, pelo que há de mais importante, pelo que se acredita, pelo receio de que nada aconteça como previsto, pelo improvável. Não há garantias na caminhada, mas igualmente não há contemporizações que impeçam o perpétuo, contínuo ato de caminhar. A eternidade pode estar contida num olhar, num sorriso, numa lágrima, numa dor... Pode estar ausente de si mesma e ainda assim nos lembrar da existência efêmera, fugaz... tão fugaz quanto nossos dizeres, que se lançam como flechas em direção ao próximo encontro. Encontro este que pode ser com o outro, consigo, com ninguém...
A imortalidade dança em nossos sonhos a perpetuar o infinito, nos mantendo vivos, ainda que em estado de suspensão perene. Talvez sejamos perenes para quem chamamos de Deus... mas talvez sejamos apenas um ponto vago num organismo maior, ou talvez não sejamos nada. Não importa, pois, no instante em que acreditamos, podemos ser tudo. Tudo na finitude nossa de cada dia, sem perdas, sem danos, sem dúvidas, sem temores...

O que importa realmente é perscrutar o tempo de nossa eternidade, pelo que entendemos como tal, ainda que esta seja interrompida a cada morte e vida cotidianas, por meio dos atos singulares que nos induzem simplesmente a ser, na plenitude da razão que nos suporta. 

Mas não vamos esquecer de que isso pode importar somente para alguns; para outros mais vai valer sentar na beira do caminho e observar a vida passando, através tão somente do mecânico ato de existir, sem ressalvas ou pretensões. O agora pode ser somente um suspiro da eternidade que parou para descansar.

Luana Tavares

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